terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Primeira pessoa do singular

Pela incomodativa sensação de falta de inspiração ou comprometimento, meu compromisso semanal com o blog foi afetado. São três semanas sem textos novos, três semanas sem comentários ou críticas, e, mais que isso, três semanas em que, pela primeira vez desde que criei este espaço, falhei.

Ah... Mas se falhei foi por conta do Carnaval, que se atravessou entre estas semanas quentes de fevereiro. Ou, ainda, porque andei ocupado com outros afazeres que me impediram de ser fiel a mim mesmo, neste propósito inescusável a que me propus quando decidi exercitar, divulgar e (re)descobrir este meu lado escritor.

Talvez sejam os velhos fantasmas que tenham voltado a me atormentar. Fantasmas que insistem em conturbar a caminhada de um sonho que alimento com força, mas, confesso, sem saber apontar a direção.

Vejo tantos exemplos de sucesso, e não que este relatado sucesso seja o prêmio por composições extraordinárias. Não. Vejo sucessos meramente ocasionais e sem conteúdo que os façam merecer este destino.

E antes que me julguem invejoso ou recalcado, passo à frente e digo: não é nada disso. Acredito possa ser um pouco de desilusão pelo tão esperado alcance em mim que ainda não chegou. Acredito, ainda, possa ser esta referida desilusão somada a um abatimento por ver outras estrelas brilharem enquanto a minha descansa ou sabe-se lá o que tem feito que não intensamente, também, brilhar.

Acredito. Acredito? Já nem sei mais. Penso, na verdade, que não. Não ainda, pelo menos. Mas se cheguei ao ponto de questionar-me, novamente, esta capacidade, onde então andará minha confiança?

Ao passo em que atribuo a fatores externos a própria falta de inspiração, transferindo uma responsabilidade que é só a minha a uma ocorrência abstrata, desconfio esteja merecendo um sacolejo ou, até, a ajuda de terceiros.

Uma vez me disseram que este estilo às vezes difícil com o qual emprego cada palavra é meu diferencial e meu tormento, por, vezes, ser ou estar inacessível.

Então reli. Reli vários textos, quase todos. Li, reli e procurei identificar o que aquela crítica tinha a ensinar. E concluí que, realmente, há crônicas (aqui minha coragem parece ter voltado ao ponto de admitir escrevo crônicas, e não apenas textos) complexas. Mas há as mais simples também.

E mesmo naquelas cheias de mensagens subliminares, artifícios utilizados para não expor o real motivo que tenha me inspirado a redigir aquelas linhas, enxergo, e outros também, a mensagem final.

E é esta mensagem final que me enche de alegria, pois é através da interpretação feita por cada um e pelo retorno que estas pessoas dão através de seus comentários que reafirmo minha convicção. Sim, eu tenho talento. Sim, eu sei fazer isto.

Pelas linhas desta crônica singular e na primeira pessoa, ao menos desta vez, busquei recuperar algo que estava perdido em mim. Busquei resgatar mais que um projeto. Busquei um retorno em mim mesmo. Busquei, afinal, trazer-me de volta ao caminho.

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